quinta-feira, 12 de maio de 2016



ASPECTOS DE ALGUNS PAÍSES - JOÃO DO RIO
Uma visão do socialismo em 1919.

(João do Rio. "Aspectos de alguns paizes", vol. 2, 1919)

      João do Rio, Paulo Barreto, negro, gordo e homossexual assumido, e, portanto, representante de uma minoria segregada no Rio de Janeiro do início do século XX, mas que, no entanto, sua genialidade o transformou num fenômeno de popularidade e cultura. O maior cronista social de nossa história!
      Este fenômeno, nunca igualado, na sua obra “Aspectos de alguns Paízes” (vol. II), publicada em 1919, dedicou alguns capítulos a fazer um alerta que julgou muito importante. Tratava-se de apontar para um grupo de jovens cariocas que, embriagados pela leitura marxista, procuravam defender um governo de soviets no Rio, em fins do governo de Venceslau Braz e início do governo de Delfim Moreira (1918-1919). João do Rio teve a percepção de observar que o que se escrevia sobre o marxismo e, principalmente o Bolchevismo, era algo de fantasioso e irreal.

      Viajando para a Europa, entrevistou os dois lados, tanto emissários bolcheviques, quanto refugiados que conseguiram fugir da tirania de Lênin e Trotski. Dessa forma montou um espetacular retrato da Russia soviética de 1919. Demonstrando que a “ditadura do proletariado” não passava de uma “ditadura sobre o proletariado”. Ressaltou a destruição da economia russa, com o incentivo ao ócio no campo e a defesa dos saque , invasões e roubos. Os camponeses, sob a proteção bolchevique se transformaram em grupos armados de bandidos que invadiam e tomavam as fazendas produtivas para transformá-la em terras improdutivas, na esperança de poder negociá-las no futuro. Empregados matavam patrões e no dia seguinte eram vistos usando seus pertences. Enquanto isso a economia foi rapidamente arrasada.
      O governo dos soviets bolchevique em poucos meses mostrou a que veio, assassinando milhares de pessoas pelo simples motivo de descordarem da sua forma de governos. Uma professora foragida da russia lhe conta em entrevista sobre a nova onda bolchevique: reunir dezenas de opositores, obrigá-los a cavar uma grande cova e depois enterrá-los todos vivos. E prossegue: "E desejaria gritar aos intellectuais que fazem livros, aos proletarios que lêm esses livros e forçam as reivindicações dos camaradas, toda a verdade – para que elles fiquem no negocio rendoso de meter medo ao burguez. O marxismo na Russia acabou com a gente rica, mas tambem com os proletarios, com os meios de vida, com a fraternidade, com a humanidade".(p. 218)
      Este governo que falava contra a burguesia assumiu a vida burguesa e rica daqueles que condenavam enquanto a fome cresceu descontroladamente no país. Vivendo na abastância enquanto o povo definhava moral e economicamente. 
      “Lenin, que se vendera à Alemanha para trair a sua pátria”, incapaz de controlar as hordas furiosas que criara, passou a importar mercenários chineses para a segurança de seus camaradas. Estes mercenários não só faziam a segurança dos líderes bolcheviques como também roubavam abertamente, invadindo residências e matando descontroladamente. Em 1919 já se tinha na Rússia bolchevique o maior genocídio já visto até então. É certo que, anos depois em 1956, Nikita Khrushchov denunciaria um genocídio muito maior por parte de Stalin, herdeiro de Lênin, mas isso tudo era apenas o início! 
      João do Rio também estava alarmado com a rápida disseminação dessas ideias em vários países, inclusive na França, mas nutria a esperança de uma rápida derrota, o que não aconteceu. 
      Infelizmente João do Rio morreu em 1921 e não pode lutar com sua melhor arma, a inteligência, contra a fundação da Seção Comunista Soviética no Brasil, chamado Partido Comunista do Brasil (posteriormente renomeado Partido Comunista Brasileiro).